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segunda-feira, 14 de março de 2011


VIAGEM DO INTERCIDADES LISBOA-ÉVORA VAI DEMORAR MENOS 20 A 30 MINUTOS:


CP admite desistir de automotoras e voltar a colocar o serviço com máquina e carruagens na ligação entre a capital e a cidade alentejana, encurtando a viagem para hora e meia

A modernização da Linha do Alentejo, que inclui a electrificação e rectificação do traçado desde Bombel (Vendas Novas) a Évora, pode permitir uma redução do trajecto entre 20 e 30 minutos, disse fonte oficial da CP.

Desta forma, os Intercidades Lisboa-Évora poderiam reduzir o seu tempo de percurso que era de uma hora e 56 minutos com material diesel (até Maio do ano passado quando a linha fechou para obras) para uma hora e meia, tornando a viagem mais competitiva com os expressos rodoviários e com o próprio transporte individual.

Mas para que isso aconteça a CP terá de desistir do seu projecto de ali colocar automotoras UTE (Unidades Triplas Eléctricas) modernizadas, cuja velocidade máxima é de 120 quilómetros por hora. Em vez disso, deve manter as carruagens Intercidades, mas agora rebocadas pelas locomotivas eléctricas 5600, capazes de circular a 200 km/h. A velocidade máxima, contudo, não passaria dos 160 km/h, que é o limite a que as carruagens podem circular.

Se a CP mantiver estas intenções e a Rede Ferroviária Nacional (Refer) continuar a garantir que a Linha do Alentejo poderá aceitar estas velocidades, Évora passará a contar em Maio próximo (quando se concluírem as obras) com um inesperado serviço de cinco intercidades diários em cada sentido com tempos de viagem bastante rápidos.

Mau tempo atrasa obras

Já para Beja, a CP mantém que não vale a pena colocar comboios a diesel a circular debaixo da catenária (cabos de alta tensão) e que o troço não electrificado entre aquela cidade e Casa Branca (63 quilómetros) será assegurado com UDD (Unidades Duplas Diesel) que darão correspondência aos Intercidades de Évora. Uma decisão que tem causado grande controvérsia na capital do Baixo Alentejo, que se vê secundarizada face a Évora.

A CP tem em curso nas suas oficinas da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário a modernização de duas UDD para servirem de "navettes" entre Casa Branca e Beja e três UTE, inicialmente previstas para o Lisboa-Évora, mas que a empresa admite agora dar-lhes outra utilização. A modernização destas cinco automotoras custa um milhão de euros e inclui assentos mais confortáveis, bem como novas mesas, bagageiras e pavimento. A pintura exterior também será alterada.

Apesar da Refer ter fechado a Linha do Alentejo durante um ano para nela se poder trabalhar 24 horas por dia, a mesma não irá reabrir a 1 de Maio quando se completarem o prazo para as obras. Fonte oficial da Refer disse que "as condições atmosféricas adversas que se têm vindo a fazer sentir desde Outubro de 2010 estão a impedir o conveniente tratamento da nova plataforma ferroviária, o que poderá reflectir-se na data de reabertura da linha".

O presidente da CP, José Benoliel, explicou que o atraso, a existir, não será da parte da sua empresa, que "tudo fará para ter o material circulante disponível na data prevista de reabertura".


Fonte: Jornal Público, 14 de Março de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

CP SUPRIME INTERCIDADES NA BEIRA BAIXA SEM GARANTIR ALTERNATIVA RODOVIÁRIA

Trabalhos na via-férrea justificam supressão de ligações rápidas na Beira Baixa, mas Refer diz que não tem de pagar transporte alternativo à CP

A CP suprimiu dez comboios Intercidades que deveriam ligar Lisboa à Covilhã, mas que ficam por Castelo Branco. Daí para a frente a linha está fechada de ontem até amanhã para a realização de obras da responsabilidade da Rede Ferroviária Nacional (Refer). Os comboios foram suprimidos sem qualquer alternativa para os clientes.

A Refer entende que, não sendo operadora de transportes, não lhe compete organizar o serviço rodoviário, mas disponibiliza-se a pagá-lo à CP se esta tratar disso. Mas a transportadora ferroviária tem uma versão diferente e diz que "a Refer deixou de suportar os custos com a contratação de transportes alternativos em virtude de interdições de circulação na rede ferroviária a partir de 26/1/2010." Por esse motivo, acrescenta a empresa, este tipo de custos "têm sido inteiramente suportados pela CP".

Só que, devido à contenção de custos, a empresa resolveu só assegurar serviço rodoviário de substituição para os escassos comboios regionais da Beira Baixa, uma vez que neles podem viajar clientes com passe. Já para os Intercidades foi mais fácil bloquear as vendas entre Castelo Branco e Covilhã para estes dias e o assunto ficou resolvido de forma expedita e mais barata. A Refer justifica a interdição da via pela complexidade das obras, que não podem ser realizadas durante a noite. Trata-se, sobretudo, de intervenções nos túneis da Gardunha e de Fatela/Penamacor que têm de ser escavados para rebaixar a soleira ao mesmo tempo que se abrem nichos na abóbada para neles instalar o suporte da catenária. A obra destina-se a concluir a electrificação da Linha da Beira Baixa em Maio deste ano.

Entretanto, o Grupo de Amigos do Caminho-de-Ferro da Beira Baixa endereçou uma carta aberta ao presidente da Câmara da Covilhã alertando-o para a possibilidade de a CP, a partir de Maio, acabar com os Intercidades com material circulante habitual (locomotiva e carruagens) e substituí-lo por automotoras UTE (Unidades Triplas Eléctricas) iguais às que efectuam o serviço regional.

"O serviço Covilhã-Lisboa tem características de longo curso e o material referido [UTE] não dispõe das características de conforto para uma viagem de maior duração", lê-se no documento, que exorta o autarca a tomar medidas para não deixar morrer o caminho-de-ferro da Beira Baixa. No entanto, a CP nega essa intenção, mantendo que as automotoras eléctricas só substituirão os comboios Intercidades nos serviços entre Lisboa, Évora e Beja.


Fonte: Jornal Público, 26 de Fevereiro de 2011