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domingo, 26 de junho de 2011

ESTUDO ENTREGUE À TROIKA PROPÕE O FECHO DE 800Km LINHA FÉRREA:

"Documento feito, à revelia da Refer, pelo anterior Governo do PS deixa a rede ferroviária circunscrita basicamente ao eixo Braga-Faro, Beira Alta e Beira Baixa. Restantes linhas seriam amputadas ou desapareceriam




A concretizar-se, será uma razia idêntica à do fim dos anos de 1980, quando Portugal encerrou 800 quilómetros de linhas de caminho-de-ferro, sobretudo no Alentejo e em Trás-os-Montes. O Governo de José Sócrates propôs à troika o encerramento de 794 quilómetros de vias-férreas, também com particular incidência no Norte e no Alentejo, mas desta vez incluindo algumas linhas do litoral, como a própria Linha do Oeste, que seria encerrada entre Louriçal e Torres Vedras (127 quilómetros).

O estudo foi realizado, à revelia da Refer, por uma equipa conjunta do Ministério das Finanças e do Ministério das Obras Públicas e Transportes. E consolida o fim das linhas que até agora estavam encerradas "provisoriamente" à espera de obras de modernização (Corgo, Tâmega, Tua e troços Figueira da Foz-Pampilhosa e Guarda-Covilhã, num total de 192 quilómetros). Inclui também a Linha do Douro, entre Régua e Pocinho (68 quilómetros), a Linha do Leste entre Abrantes e Elvas (130 quilómetros), a Linha do Vouga (96 quilómetros), o ramal de Cáceres (65 quilómetros), a Linha do Alentejo entre Casa Branca e Ourique (116 quilómetros). Esta última deixaria Beja sem comboios, apesar de, neste momento, a CP estar a preparar uma oferta especial desta cidade aos Intercidades de Évora.

O documento foi apresentado à troika como uma medida eficaz de redução da despesa pública, uma vez que tem um forte impacto simultâneo nas contas da Refer e da CP. Na primeira empresa reduz custos de manutenção e de exploração e na segunda permite-lhe acabar com o serviço regional onde este é mais deficitário (embora nalgumas linhas a abater exista um significativo tráfego de mercadorias).

O impacto deste eventual encerramento deixa a rede ferroviária circunscrita basicamente ao eixo Braga-Faro, Beira Alta e Beira Baixa, desaparecendo as restantes linhas, sendo amputadas outras.

O PÚBLICO apurou que a administração da Refer não subscreve esta visão sobre a ferrovia portuguesa e que tem em cima da mesa um documento de trabalho - ainda não terminado - com uma proposta de cortes mais modesta.

Nela se mantém o fecho das linhas já encerradas (com excepção da ligação Guarda-Covilhã) e se estuda o encerramento do ramal de Cáceres (Torres das Vargens-Marvão), a Linha do Vouga apenas entre Albergaria e Águeda (14 quilómetros) e a Linha do Alentejo entre Beja e Ourique (36 quilómetros). No total, são 240 quilómetros, contra os 800 preconizados no documento elaborado pela equipa mista das Obras Públicas e das Finanças do Governo anterior, liderado pelo PS.

Técnicos da Refer contactados pelo PÚBLICO dizem que esta é uma proposta "cega" e que ignora a importância das redundâncias do sistema. Por exemplo, a Linha do Oeste serve de alternativa à Linha do Norte e a do Alentejo à do Sul. O encerramento conjunto do ramal de Cáceres e da Linha do Leste privaria Portugal de qualquer ligação ferroviária a Espanha a sul de Vilar Formoso, aumentando a distância dos portos de Sines, Setúbal e Lisboa a Madrid e à Estremadura espanhola.

No Douro, o encerramento da linha a jusante da Régua compromete o desenvolvimento turístico da região, que é património mundial. Paradoxalmente, o que os autarcas da região têm vindo a pedir é a reabertura do troço Pocinho-Barca de Alva para fins turísticos e para aproximar a região do mercado espanhol.

Outro paradoxo é a linha entre Guarda e Covilhã, na qual a Refer tem investido, nos últimos sete anos, dezenas de milhões de euros e onde decorrem presentemente investimentos de 7,7 milhões de euros para reparação de túneis. Este troço arrisca-se a não reabrir depois deste dinheiro gasto. "


segunda-feira, 21 de março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011


DESCUBRA PORTUGAL ENQUANTO HÁ COMBOIO:
Artigo de Opinião - Paula Ferreira

A CP é uma empresa surpreendente. Convida-nos, através de spots publicitários, a dar "uma escapadela com amigos e descobrir Portugal de comboio", como competente agência de turismo. E, ao mesmo tempo, continua a fechar linhas. Uma a uma, sem complacências a ajudar ao despovoamento.

Apresse-se, pois, se tenciona responder ao desafio da ferroviária portuguesa e partir à conquista do país ao som do pouca-terra, pouca-terra. Tanta é a pressa de excluir troços ferroviários que o gestor do site da CP, por certo, dificilmente acompanhará o ritmo. Na página online da companhia, o visitante é induzido em erro. Não existem nove propostas, como diz, "À descoberta de Portugal a bordo do comboio regional". Eram nove, agora são oito. No ramal de Cáceres, em Portalegre, o comboio deixou de apitar no primeiro dia de Fevereiro. Motivo: falta de rentabilidade. A nona proposta turística, que transportava o viajante a Castelo de Vide e Marvão, fica para a história.

Como para o estudo da arqueologia industrial ficarão alguns dos mais belos troços ferroviários portugueses. Corgo, Tua, Tâmega, Barca d'Alva... e outros se seguem certamente. Fica o interior do país mais abandonado, isolado, de solidões com menos acessos.

Serão estes cortes uma inevitabilidade? Não haveria outra solução: ao invés de encerrar, tornar estas linhas atractivas, verdadeiras alternativas ao automóvel?

O caminho parece ser outro. Há muito tempo, é certo, não ouvimos os políticos a dar qualquer sinal de preocupação com a despovoamento que devasta o país. Isso também faz parte do passado. E assim se avança. Fecham urgências hospitalares, fecham serviços de atendimento permanente, acabam os comboios. Até que não reste ninguém a morar por esses sítios. Quando a CP - empresa do Estado, da qual se espera um serviço público - fechar as linhas que dão prejuízo, fica no ponto para mudar de mãos. Quem a comprar não terá, seguramente, de prestar qualquer serviço público - o objectivo será mais prosaico, o lucro.

P.S. Nem só o interior é alvo do desmantelamento da CP. A linha de Leixões, pensada para transportar 2,9 milhões de pessoas por ano, fechou. Sem que a estação que lhe daria sentido (no hospital de S. João) chegasse sequer a nascer.

Fonte: Jornal de Notícias, 2 Fev. 2011

sábado, 22 de janeiro de 2011

BEJA PERDE LIGAÇÃO DIRECTA A LISBOA:


Estação de Beja, 2009, Filipe Campêlo


Quando a linha do Alentejo for reaberta à circulação ferroviária - após um período de obras previsto de 12 meses, que teve início em Maio do ano passado - a CP vai alterar por completo a oferta que ali prestava, passando a realizar cinco ligações directas nos dois sentidos entre Lisboa e Évora e nenhum comboio directo para Beja.

Até Maio do ano passado havia três ligações do serviço Intercidades em cada sentido entre Lisboa e Évora e duas ligações, também em cada sentido, entre a capital portuguesa e Beja. Mas estes dois serviços de longo curso eram os que mais prejuízo implicavam para a CP, porque nunca chegaram a alcançar uma quota de mercado que pagasse uma pequena parte dos custos de exploração.

Um dos problemas era que as composições (de apenas duas ou três carruagens) eram rebocadas por pesadas e dispendiosas locomotivas a diesel. As obras que a Refer entretanto está a levar a cabo na linha do Alentejo vão deixar o percurso até Évora totalmente electrificado, mas a linha para Beja ficou à margem dessa modernização. E como a tracção eléctrica é mais barata do que a diesel, a CP vai oferecer agora dez ligações diárias entre Lisboa e Évora (cinco em cada sentido), as quais terão correspondência na estação de Casa Branca para a linha de Beja.

José Benoliel, presidente da CP, explicou ao PÚBLICO que nos cerca de 200 quilómetros que distam entre Lisboa e Beja, só 63 não são electrificados, não sendo, por isso, racionalmente económico manter comboios a diesel a gastar combustível debaixo da catenária quando a linha é maioritariamente electrificada.

Daí a opção por se colocar uma automotora a fazer de vaivém entre Beja e Casa Branca, dando correspondência às dez ligações Intercidades entre Évora e Lisboa.

Automotoras mais lentas

Mas o próprio serviço para Évora sofrerá também uma redução em termos de conforto e comodidade. Em vez de carruagens Intercidades rebocadas por uma máquina eléctrica, a CP optou por uma solução mais barata, com recurso a automotoras eléctricas modernizadas. Esse material já circulava na linha da Azambuja nos anos de 1970, mas foi submetido a uma modernização. Hoje, esse material tem um visual exterior moderno, assente numa estrutura já envelhecida. E vai ser com estas automotoras, menos confortáveis e menos rápidas, que o serviço de longo curso será assegurado entre Lisboa e Évora.

Mais algumas ligações, em piores condições

O que ganham e perdem Évora e Beja quando o serviço de longo curso da CP para o Alentejo for retomado? Évora ganha mais duas ligações directas para Lisboa em cada sentido (cinco, em vez das três que tinha anteriormente), ganha maior fiabilidade e rapidez no serviço devido à tracção eléctrica e perde conforto porque os comboios Intercidades serão trocados por automotoras (menos cómodas e mais barulhentas).

Os potenciais clientes deste transporte que saiam ou tenham como destino Beja ganham a possibilidade de ter cinco ligações a Lisboa por dia, mas perdem os comboios directos para a capital devido aos transbordos obrigatórios em Casa Branca.

Além disso, perdem qualidade no serviço (ligação não directa e feita por automotoras antigas que foram modernizadas).

Abre linha, fecha linha, abre linha...

A modernização do troço Bombel-Casa Branca representa um investimento de 48,4 milhões de euros da Refer e insere-se na construção do eixo Sines-Badajoz. Será a partir daqui que esta linha vai entroncar no futuro traçado do TGV. Os trabalhos deviam acabar a 1 de Maio, mas há quatro anos, em 2006, a Refer tinha fechado a linha para Évora durante nove meses para obras de reabilitação, que, contudo, ficaram incompletas. Só agora a electricidade chegará à linha que serve Évora.

Partidos e utentes contra fim do serviço Intercidades

O descontentamento com a possibilidade do fim do serviço Intercidades que liga Lisboa a Évora e a Beja já chegou à Assembleia da República. Hoje é votado um projecto de resolução apresentado pelo PCP que defende a manutenção do serviço e reclama a sua requalificação, em termos de conforto e de oferta horária."Sobretudo com uma linha requalificada e agora electrificada [estão a decorrer obras com conclusão prevista para Maio] não faz sentido que o serviço se reduza, faz sentido é que o serviço seja melhorado", disse ao PÚBLICO o deputado comunista João Oliveira, que cita o relatório anual de actividades da CP em que se refere que os comboios Intercidades serão substituídos por automotoras modernizadas - o que, aos olhos do partido, significa "uma degradação da qualidade do serviço".

O projecto foi apresentado anteontem, juntamente com uma petição promovida por utentes diários daquela linha e que recolheu 4433 assinaturas. A petição reivindica o não encerramento dos 200 km da linha para as obras que estão a decorrer em apenas 32 km e a manutenção do Intercidades entre Lisboa e Évora.

Os socialistas não estão preocupados com o fim deste serviço "que se chama Intercidades mas tem características de urbano": "Mantemos o mesmo tipo de comboio, melhoramos a circulação e chamamos-lhe outra coisa. É uma falsa questão, a do PCP", disse ao PÚBLICO o deputado Luís Gonelha. O PSD, que concorda com o encerramento total da linha para obras, considera este projecto de resolução do PCP "inoportuno". "Primeiro vou ver quais são as soluções [da CP para ligar Lisboa a Évora e a Beja] e só depois disso é que, concordando ou não, vamos tomar uma decisão", sustentou o deputado "laranja" Luís Rodrigues.

O CDS-PP considera que o Governo deve tomar "as medidas necessárias para que sejam prestados aos utentes esclarecimentos quanto ao calendário das obras e ao restabelecimento desta ligação Intercidades".


Fonte: Jornal Público